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Em casa em Buenos Aires – Introdução

DSC04477Acabamos de decolar do Aeroporto Internacional de Buenos Aires – Ezeiza direto para Florianópolis em mais um belo dia de sol na capital portenha! Buenos Aires esteve linda nestes últimos 5 dias (muita sorte da Chelle, que agora está iniciada na cidade).

Eis um pequeno resumo de tantas sensações desta viagem:

- “Morar” na Recoleta por 5 noites foi uma experiência muito agradável, perto de tudo, se sentindo em casa num apto (Airbnb) do tamanho certo para as nossas necessidades, vivendo como locais, inclusive indo ao teatro (Parte I);

- Degustar comidinhas típicas ou diferentes, com aquela sensação de eterna saciedade, porém com a vontade de ter provado ainda mais! Bom, Buenos Aires é perto de Floripa, ainda bem, sempre dá pra voltar (Parte II)!

- Liberdade de andar pelas ruas tão largas e lindas do centro, ou mesmo pelas ruelas de San Telmo, vivenciando a “muvuca” da feira de domingo sob um sol que combina perfeitamente com o frio de Buenos Aires nesta época do ano (Parte III);

Nosso caminho por Santiago!

DSC02907Quando se fala sobre viagens, logo pode-se escutar dicas do tipo: “…você deve ficar no mínimo 4 dias lá”. Outro já diria: “… 4 dias? Não, essa cidade deve ser explorada em duas semanas!”! E essa é uma das primeiras decisões a se tomar quando você decide visitar um lugar. Quanto tempo ficar? Qual o período necessário para conhecer os atrativos?

Com as viagens que tenho planejado recentemente, vejo que é tão possível passar dois dias na Toscana, como 1 mês inteiro! A resposta para essa primeira decisão de uma viagem não está somente no local que você tem interesse em visitar, mas dentro de você mesmo! Por isso, talvez a primeira grande pergunta deveria ser: o que eu pretendo fazer lá? E quanto tempo vou precisar para fazer o que quero? Alain de Bottom, que escreve muito sobre viagens, viajantes e as interações decorrentes da prática de viajar, vai além, e diz que quando se pretende viajar, não é sobre o local a visitar que devemos nos perguntar, mas sim o que pretendemos mudar em nós mesmos com a próxima viagem! Interessante, não? Ultimamente tenho tentado pensar nisso, naquilo que estou procurando em cada nova viagem que realizo!

De volta ao passado: de Sydney para Santiago!

P1100478Numa linda manhã (bem cedinho, o sol nem mesmo tinha nascido), saio do Hotel Formule 1 em plena King Cross e sigo para o Aeroporto de Sydney, aliás, o imenso e moderno aeroporto de Sydney. Era somente eu numa van que percorre praticamente os principais meios de hospedagens de Sydney (um shuttle) para levar os turistas ao aeroporto, fazendo com que essa corrida fique mais econômica para nós viajantes: paguei USD 12 contra os USD 38 de táxi quando cheguei!

Sydney: sobrevoei a Opera House e Harbour Bridge!

P1090954Deixar a cidade de Brisbane foi triste! Fiquei quase 3 semanas nessa maravilhosa cidade, totalmente em desenvolvimento para o futuro! Além disso, tive que me despedir do pequeno Lucas, que já estava dançando alegremente a dança do Minhoco!! :)

Mas seguir para Sydney era mais do que realizar um desejo, era estar num daqueles locais ‘mágicos’, divulgados em programas, revistas, internet. Assim que nosso avião fez a curva para se ‘endireitar’ para a pista do aeroporto, pude ver a Opera House bem branquinha lá em baixo, e do lado dela a Harbour Bridge, bem próxima uma da outra, como se fossem estruturas frágeis e pequenas! Já foi de arrepiar… e eu ainda nem estava lá!

Wheel of Brisbane = Brisbane Eye :)

P1090677 Para nossa tarde de quinta-feira, reservamos um passeio nas alturas! Fomos para a ‘city’, e lá compramos nossos tickets para visitar a Wheel of Brisbane, que traduzo aqui como Brisbane Eye, fazendo assim referência ao atrativo famoso da cidade inglesa de Londres!

A Wheel of Brisbane nada mais é do que uma imensa roda gigante, estrategicamente localizada na beira do Brisbane River, no South Bank Parklands, um dos parques mais legais da cidade. As 42 pequenas cápsulas para até 6 adultos chegam a uma altura aproximada de 60m, permitindo uma visão panorâmica de 360º da cidade de Brisbane.


Uma tarde no Brisbane city centre ou CBD!

P1090522 A chuva ainda não deu trégua (pelo menos neste dia). Inacreditavelmente tem caído chuva como não acontecia a alguns bons anos. Só para vocês terem uma ideia, a represa que abastece a cidade tem recurso suficiente para abastecer os próximos 5 anos! Diversas pessoas precisaram ser deslocadas de suas residências para lugares mais altos, e as construções aqui perto da casa da Marina foram drasticamente afetadas pelas enxurradas. Na minha penúltima caminhada no parque presenciei diversos trabalhadores e suas máquinas numa atividade desgastante de retirar um container da obra (+ ou – uns 500m acima) que ficou trancado na base de uma das pontes do riacho que corta o parque! A cena era impressionante.
Bom, mas saibam que estamos todos bem! Nós, a maioria dos australianos, incluindo os cangurus, os koalas, e os crocodilos de água-salgada, que aparentemente nada sofreram!

Mendoza: um oásis aos pés da Cordilheira dos Andes

mendozaConsiderada a 4ª cidade argentina em população, Mendoza registrou no censo de 2001 um total de 110 mil habitantes. Está localizada nos pés da Cordilheira dos Andes, em latitude bastante próxima de Santiago, porém  do outro lado das montanhas.

A cidade foi estabelecida em 1561 por Garcia Hurtado de Mendoza, mas um forte terremoto arrasou a cidade em 1861, sendo totalmente reconstruída bem próximo do local original, tal como está hoje. Em virtude deste terremoto, o centro da cidade é planejado com a construção de 5 praças: uma central, Plaza Independencia, e 4 praças em seu  entorno: Plaza Italia, Plaza Chile, Plaza San Martín e Plaza Sarmiento. Elas estão estrategicamente localizadas para fornecer segurança (longe de construções) para abrigo da população em caso de novo terremoto.

O clima é extremamente seco, e isso não precisa ler em lugar nenhum, basta sentir na boca, no nariz, na pele e nos cabelos! O que chove o ano inteiro lá, é metade do nosso verão aqui em Floripa. Não é por acaso que os vinhedos deram muito certo lá, não é?

acequiasPra aguentar é necessário muito protetor solar, hidratante e garrafas de água (dos Andes – algumas com gostos estranhos). Mas aí você pode perguntar: Oásis? Como assim? Pois é, Mendoza é um verdadeiro oásis. Isso porque a cidade está no meio do deserto, mas possui um sistema (prehispânico) incrível de drenadores, localmente denominados acequias (um verdadeiro patrimônio cultural). Mendoza é a única cidade do mundo onde há drenadores urbanos em 100% de suas ruas. É por eles que as águas dos cumes dos Andes percorrem a cidade, permitindo regar mais de 1 milhão de árvores. A presença desta água torna o ambiente um pouco mais agradável, principalmente no verão, quando a temperatura chega facilmente aos 40°C.

Assim como na cidade, a água proveniente dos Andes é distribuídaacequias  de forma organizada entre as propriedades rurais, principalmente às bodegas (vinícolas), para irrigação dos vinhedos (por inundação ou gotejamento). A distribuição é organizada por dias da semana, e fiscalizada de perto para que não haja desvio das águas.

Além das acequias (para saber mais sobre esta forma de rega, clique aqui), todo o comércio fica fechado entre 13h e 16h, para a famosa siesta, para fugir das altas temperaturas, principalmente no verão. Essas não são as únicas dificuldades da cidade de Mendoza. Vivenciamos em nossa última noite na cidade um vento bem mendocino, o zonda. Um vento quente, proveniente do Oceano Pacífico, que se aquece ao descer as montanhas andinas, podendo chegar a 120km/h. Apesar de causar uma série de mal estares a população, principalmente aos que sofrem do coração (baixa súbita de pressão) e de problemas respiratórios, este vento ‘sujo’, que levanta muita poeira, é importantíssimo para a distribuição da neve na Cordilheira dos Andes, o que posteriormente se transformará em água para regar as cidades.

vento zondaFoi interessante andar pelas ruas vazias de Mendoza em plena sexta-feira a noite, e ver todas os clientes dos restaurantes e bares dentro dos locais totalmente fechados (efeitos do viento zonda). Toda a população de Mendoza como das demais cidades do entorno tem seu cotidiano bastante alterado em virtude das condições climáticas da região.

Por ser bastante arborizada, é uma delícia caminhar pelas ruas da cidade, principalmente próximo a praça central,  onde está localizado o Peatonal Sarmiento, uma espécie de calçadão com diversas opções de compras. É lá que está a grande cafeteria e os famosos alfajores da Havana. Além disso, os acessos para chegar a cidade, e para os deslocamentos às outras cidades da província de Mendoza (para visitar as bodegas) são fáceis, bem sinalizados, com asfalto em bom estado. É muito agradável e muito simples explorar a região!

vista da cordilheira dos andes

No próximo post, conto em detalhes como exploramos cada uma das bodegas que visitamos! Sem faltar, é claro, todos os vinhos que bebemos! Talvez seja o post mais longo… :)

Até lá!