A Cordilheira dos Andes e o passeio a Alta Montaña

eu na Puente del Inca Acredito que este era, pra mim, o momento mais esperado da viagem a Mendoza: o dia que sairíamos da cidade e das rotas do vinho para entrar na Cordilheira dos Andes, na Ruta Internacional 7, que via ao Chile. Minha expectativa era estar ‘dentro’ da Cordilheira dos Andes, e ver de perto seus picos, e quem sabe até apreciar o Aconcágua!

Logo na primeira manhã em Mendoza, quando saíamos para a primeira bodega, já senti aquele arrepio de satisfação, de alegria, por acompanhar a Cordilheira, imensa, paralelamente a rodovia. Aliás, aquela nem mesmo era ‘a’ Cordilheira. Primeiro existe uma pré-Cordilheira, bem mais baixa, e sem picos nevados. No entanto, logo atrás dela, seguem os picos brancos e altos dessa cadeia de montanhas que está na fronteira entre a Argentina e o Chile.


Pico do Aconcágua a 40km de distancia 
Para subir a Cordilheira, decidimos seguir alguns conselhos de outros viajantes, e compramos um passeio de van. Acabei me arrependendo depois, pois a estrada é perfeita, e mesmo com o fluxo de caminhões que vão e vem para/do Chile, é possível percorrer a Ruta Internacional 7 sem problemas. Importante apenas saber exatamente onde parar para ver os atrativos, que pode ser resolvido de duas formas: contratar um guia para acompanhá-los do carro (o que garante mais flexibilidade do que um grande grupo), ou dar uma estudada no roteiro através de mapas e indicações disponíveis tanto em Mendoza como na internet.

mapa_circuito_alta_montana

O Circuito de Alta Montanha pode ser realizado durante todo o ano e sai da Cidade de Mendoza bem cedinho, por volta das 7h, percorrendo paisagens incríveis, acompanhando o Rio Mendoza, até chegar praticamente na fronteira com o Chile. Terminando a zona vitivinícola de Luján de Cuyo, onde pegamos a Ruta Internacional 7, em plena pré-cordilheira, encontra-se o Dique Potrerillos.

Dique Potrerillos
Mais adiante, e a uma distância de cem quilômetros da capital mendocina, se encontra Uspallata, palco da ocupação indígena huarpe na época pré-hispânica. A área urbana deste amplo vale, conta com várias ofertas gastronômicas e de alojamento. Uma opção de passeio próximo de Uspallata são Las Bóvedas, construções históricas de adobe (tipo de tijolo bastante rústico) muito bem conservadas, nas quais o frei Luis Beltrán, capelão do Exército dos Andes sob o comando do general José de San Martín, fundiu os canhões e as armas com as quais este libertaria o Chile. Infelizmente não tivemos tempo no passeio para apreciar este local.

Rio Mendoza
O passeio continua passando pelas vilas de Picheuta, Polvaredas e Punta de Vacas, de onde se pode ter acesso à famosa vila de Los Penitentes. Logo após Picheuta saímos da rodovia principal e pegamos uma pequena e estreita estrada de terra, que era a antiga estrada que atravessava a Cordilheira dos Andes. O guia fez este desvio para nos levar num sítio bastante importante, a Ponte histórica de Picheuta, construída no final do Século XVIII, e por onde passaram os soldados do General San Martín para lutar contra as tropas realistas.

Ponte Histórica Picheuta

A 167Km de Mendoza encontra-se um dos centros de esqui, Los Penitentes, que funciona de junho a agosto e é um bom palco para o turismo de aventura o resto do ano. Graças ao serviço de um teleférico é possível contemplar uma vista panorâmica privilegiada da região. Em função da pequena quantidade de neve neste inverno, a estação de esqui nem mesmo abriu para temporada. Ao passarmos por lá não havia sequer neve sobre as pistas. Uma pena! Mas a partir deste ponto o frio começava a ficar insuportável. O guia nem precisava chamar o pessoal de volta para a van para continuarmos a viagem!

Los Penitentes

Mais a frente, chegamos ao sítio histórico de Puente del Inca, a 2.720m acima do nível do mar, onde o rio Las Cuevas perfurou a montanha formando uma ponte natural em cujas margens afloram águas termais. Há uma outra versão para a formação da ponte, que acredita que milhares de anos atrás se formou uma ponte de gelo e que, após algumas avalanches, as fontes termais e o tempo solidificaram a "construção". A sobrevivência deste monumento depende do equilíbrio entre o depósito permanente das fontes termais e dos componentes biominerais (os quais lhe dão a cor avermelhada à ponte). Ao lado da Puente del Inca há ruínas de um hotel que foi coberto pelo enxofre proveniente das rochas, formando um belo cartão postal.

Puente del Inca

Nas cercanias se encontra o Cemitério dos Andinistas, um cemitério simbólico, onde estão as homenagens para as pessoas que perderam suas vidas nas montanhas. A pouca distância da fronteira com o Chile, um observatório natural permite apreciar o esplendor do monte Aconcágua, que apesar de parecer estar próximo, fica a 40 km de distância deste ponto da rodovia. Importante dica: um caminho não pavimentado que parte da Ruta Internacional 7, possibilita a entrada de uns poucos quilômetros em direção à bela lagoa de Horcones, já dentro dos limites do Parque Provincial Aconcágua (infelizmente não realizamos esta caminhada! Se estivéssemos de carro eu teria convencido o povo a caminhar um pouquinho!). :(

Nós com o Aconcágua ao fundo!
Seguindo pela Ruta Internacional, encontra-se o complexo aduaneiro de Horcones e a uns quilômetros mais adiante, já no limite com o Chile, está a vila de Las Cuevas, construída seguindo um estilo europeu, a 3.200m acima do nível do mar. Neste ponto o frio era dolorido, e eu me ‘refugiei’ num pequeno kiosko de uma senhora que vendia deliciosas sopaipillas (pastéis de abóbora) com mel de cassis e um chocolate quente com chocolate do Equador e gengibre.

Entre Las Cuevas e o túnel internacional que leva à Chile há uma rota que, se as condições climáticas são favoráveis, permite ascender ao monumento do Cristo Redentor, situado a 4.200m de altura, o qual simboliza a fraternidade entre argentinos e chilenos (infelizmente nossa van não nos levou lá!).

Las Cuevas

Kiosko das sopaipillas


Sopaipillas e chocolate quente
No meio da tarde, o regresso à cidade de Mendoza foi realizado pela mesma estrada, chegando por volta das 17h. Aproveitei para dormir um pouco, depois de tanto frio!

No próximo post prepare-se para as delícias que provamos e aprovamos em Mendoza! Vou falar um pouco de comida…

9 comentários:

  1. Giane,

    Inicialmente quero parabenizá-la pelo Blog; muito bacana, textos bem legais, ilustrados e ricos.

    Vou a Mendoza no final de outubro e fico até os primeiros dias de novembro.
    Minha viagem é dedicada aos vinhos, e tenho uma longa programação com colegas (estaremos em grupo).

    Contudo, eu optei por chegar um dia antes e ficar mais um dia após o encerramento da nossa programação.

    Então, estou sondando o que poderia fazer para "explorar" um pouco mais Mendoza.

    Pensei no passeio a Alta Montaña.
    Mas gostaria de dividir com você algumas particularidades.
    Possivelmente estarei sozinho nesses dois dias extras, e não sou um grande admirador de passeios fisicamente cansativos e/ou descanfortáveis (pois sou obeso).
    Então estou com receio do paseio Ata Montaña.
    O que pode me dizer e/ou aconselhar ?
    Tem algo mais a fazer (passeios e similares) ?
    Ou talvez fosse o caso de ficar pela cidade ?

    Desde logo agradeço-lhe !

    Abraço fraterno,

    Carlos Henrique.

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  2. Olá Carlos,

    Então o passeio a Alta Montaña é uma boa opção, pois é bem tranqüilo, e não envolve nenhuma caminhada longa. Acredito que você irá gostar, pois a energia da Cordilheira dos Andes é especial. Esse é um passeio que levará o dia inteiro, saindo às 7h e retornando por volta das 17h.

    Há outras opções de passeios subindo a Cordilheira, e um deles seria visitar a Reserva Natural de Villavicencio, integrante das Áreas Naturais Protegidas de Mendoza.

    Já na cidade, nós sentimos falta de um museu para visitar, mas no centro de Mendoza há um parque gostoso para passear, o Parque San Martín, onde está o Cerro de La Gloria. De lá se tem um belo visual da pré-cordilheira e de parte da cidade, além de um enorme monumento ao General San Martín em homenagem a sua luta pela independência da Argentina e do Chile.

    De qualquer forma, pesquise bem qual agência escolher na hora de realizar um passeio, pois a nossa não foi ruim, mas poderia ter sido melhor!

    Espero que te ajude.
    Abraços,

    Giane K B Nunes

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  3. Giane.
    Legal.
    Qto pagou por esta ida as montanhas?
    O preço é por pessoa ou o aluguel da van?

    Ainda não li todo o blog, mas prometo ler.
    Saúde
    JB

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  4. Olá João,

    o passeio custou aproximadamente R$60,00 por pessoa. É uma pequena van, que geralmente busca os interessados em seus hotéis/pousadas. E não inclui qualquer outro serviço ou alimentação, apenas as explicações do guia. Por outro lado não houve necessidade de pagarmos qualquer taxa de visitação por onde passamos.

    Até mais,

    Giane K B Nunes

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  5. Valeu Giane.
    Manerissimas suas dicas.
    Gostei das fotos e de todo astral descrito.

    Qto as bodegas visitadas foram previamente agendadas?
    Cartão de credito é bem aceito por aquelas bandas?
    Devo levar pesos, dolar ou Realitos mesmo?

    Agradeço sua atenção e a rápida resposta.

    Muita paz.

    João Bernardo

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  6. Oi João,

    é super importante agendar as visitas antes. O contato por email é super fácil e eficiente.
    Quanto ao cartão, a maioria das bodegas aceitam, em virtude dos valores mais elevados na compra das garrafas, mas é sempre bom andar com algum $$, já que os bancos ficam bem distante das bodegas.

    Eu comprei um pouco de pesos argentinos, mas nunca ando com muita moeda estrangeira, pois prefiro sacar na cidade mesmo com meus cartões. Há muitas opções de bancos, no caso da Argentina, a melhor cotação no câmbio é do Banco de La Nación, o banco oficial argentino, com muitas agências espalhadas pelo país.

    Até mais,
    Giane K B Nunes

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  7. Grato
    por mais isso.

    Ql foi a Van que levou voces ao passei das montanhas?



    João Bernardo

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  8. Oi João,

    fomos com a empresa Cepas.

    Abs

    Giane K B Nunes

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