Vinhos de Mendoza III
Os vinhos de Mendoza II
A Pulenta State é uma bodega cuja tradição na produção de vinhos iniciou em 1902 quando os avós de Eduardo e Hugo Pulenta (proprietários) chegaram ainda jovens da Itália para a Argentina, em busca de uma nova vida na América. A atual bodega tem sua primeira colheita em 2001, e o objetivo dos proprietários é “produzir séries limitadas de grandes vinhos, orgulhosamente feitos na Argentina”.
O momento mais esperado: os vinhos de Mendoza I
Fui conhecer melhor os vinhos e as suas uvas muito recentemente, quando morei nos EUA (2000), ao norte da Califórnia, em Sonoma County (região americana importante na produção de vinhos). No começo achava muito esquisito todo o ritual para a escolha da garrafa, apresentação do vinho, abertura e retirada da rolha, a prova por quem escolheu, o modo de mexer o copo para soltar o aroma, observar a cor do vinho, etc. Ainda tenho dificuldades para descrever o aroma de um vinho que estou degustando, mas já posso dizer que ando gostando do que venho provando!
Mendoza: um oásis aos pés da Cordilheira dos Andes
Considerada a 4ª cidade argentina em população, Mendoza registrou no censo de 2001 um total de 110 mil habitantes. Está localizada nos pés da Cordilheira dos Andes, em latitude bastante próxima de Santiago, porém do outro lado das montanhas.
A cidade foi estabelecida em 1561 por Garcia Hurtado de Mendoza, mas um forte terremoto arrasou a cidade em 1861, sendo totalmente reconstruída bem próximo do local original, tal como está hoje. Em virtude deste terremoto, o centro da cidade é planejado com a construção de 5 praças: uma central, Plaza Independencia, e 4 praças em seu entorno: Plaza Italia, Plaza Chile, Plaza San Martín e Plaza Sarmiento. Elas estão estrategicamente localizadas para fornecer segurança (longe de construções) para abrigo da população em caso de novo terremoto.
O clima é extremamente seco, e isso não precisa ler em lugar nenhum, basta sentir na boca, no nariz, na pele e nos cabelos! O que chove o ano inteiro lá, é metade do nosso verão aqui em Floripa. Não é por acaso que os vinhedos deram muito certo lá, não é?
Pra aguentar é necessário muito protetor solar, hidratante e garrafas de água (dos Andes – algumas com gostos estranhos). Mas aí você pode perguntar: Oásis? Como assim? Pois é, Mendoza é um verdadeiro oásis. Isso porque a cidade está no meio do deserto, mas possui um sistema (prehispânico) incrível de drenadores, localmente denominados acequias (um verdadeiro patrimônio cultural). Mendoza é a única cidade do mundo onde há drenadores urbanos em 100% de suas ruas. É por eles que as águas dos cumes dos Andes percorrem a cidade, permitindo regar mais de 1 milhão de árvores. A presença desta água torna o ambiente um pouco mais agradável, principalmente no verão, quando a temperatura chega facilmente aos 40°C.
Assim como na cidade, a água proveniente dos Andes é distribuída de forma organizada entre as propriedades rurais, principalmente às bodegas (vinícolas), para irrigação dos vinhedos (por inundação ou gotejamento). A distribuição é organizada por dias da semana, e fiscalizada de perto para que não haja desvio das águas.
Além das acequias (para saber mais sobre esta forma de rega, clique aqui), todo o comércio fica fechado entre 13h e 16h, para a famosa siesta, para fugir das altas temperaturas, principalmente no verão. Essas não são as únicas dificuldades da cidade de Mendoza. Vivenciamos em nossa última noite na cidade um vento bem mendocino, o zonda. Um vento quente, proveniente do Oceano Pacífico, que se aquece ao descer as montanhas andinas, podendo chegar a 120km/h. Apesar de causar uma série de mal estares a população, principalmente aos que sofrem do coração (baixa súbita de pressão) e de problemas respiratórios, este vento ‘sujo’, que levanta muita poeira, é importantíssimo para a distribuição da neve na Cordilheira dos Andes, o que posteriormente se transformará em água para regar as cidades.
Foi interessante andar pelas ruas vazias de Mendoza em plena sexta-feira a noite, e ver todas os clientes dos restaurantes e bares dentro dos locais totalmente fechados (efeitos do viento zonda). Toda a população de Mendoza como das demais cidades do entorno tem seu cotidiano bastante alterado em virtude das condições climáticas da região.
Por ser bastante arborizada, é uma delícia caminhar pelas ruas da cidade, principalmente próximo a praça central, onde está localizado o Peatonal Sarmiento, uma espécie de calçadão com diversas opções de compras. É lá que está a grande cafeteria e os famosos alfajores da Havana. Além disso, os acessos para chegar a cidade, e para os deslocamentos às outras cidades da província de Mendoza (para visitar as bodegas) são fáceis, bem sinalizados, com asfalto em bom estado. É muito agradável e muito simples explorar a região!
No próximo post, conto em detalhes como exploramos cada uma das bodegas que visitamos! Sem faltar, é claro, todos os vinhos que bebemos! Talvez seja o post mais longo… :)
Até lá!